Telescópio Espacial James Webb

Finalmente, o Telescópio Espacial James Webb está pronto para funcionar. A Nasa já divulgou suas primeiras fotos “pra valer”: de galáxias remotas, nebulosas brilhantes e um distante planeta gasoso gigante. Em suma, são as imagens mais nítidas e profundas e do universo em que já colocamos nossos olhos.

Porém, isso é só o começo. Contendo equipamentos supersensíveis e avançados, o James Webb instaura uma nova era da astronomia. Isso porque ele funciona como uma máquina do tempo, que pode enxergar o que aconteceu após o Big Bang, há quase 14 bilhões de anos. Seus dados nos ajudarão a desvendar mistérios da formação do universo e a descobrir novos mundos fora do Sistema Solar.

Telescópio Espacial James Webb: do que ele é capaz. 

Trata-se de uma maravilha da engenharia. Ele é capaz de espiar mais longe no espaço do que qualquer outro telescópio já fez, graças ao seu enorme espelho principal e instrumentos de foco infravermelho, permitindo que sua visão atravesse gás e poeira cósmica. 

Nós sabemos que o Big Bang ocorreu há cerca de 13,8 bilhões de anos, mas ainda não foi desvendado como tudo aconteceu desde então. Como a luz das estrelas e galáxias leva muito tempo para nos alcançar, o que vemos nas imagens do Webb, na verdade, é como essas estrelas se pareciam há milhares, milhões ou até bilhões de anos (dependendo da distância das estrelas).

Instrumentos inovadores 

Para começar, o telescópio é equipado com quatro câmeras e espectrômetros. Estes instrumentos são capazes de operar em um total de 17 modos diferentes. O mais importante e utilizado, provavelmente, é a NIRCam (Near Infrared Camera, ou “câmera de infravermelho próximo”): uma tecnologia de captura de imagens que opera em frequências do espectro visível e invisível, entre 0,6 e 5 µm. 

Só para você ter uma noção, o olho humano consegue enxergar apenas entre 0,38 e 0,78 µm. Ela tem o potencial de capturar luz emitida logo depois do Big Bang, inclusive fracas emissões de infravermelho das mais antigas galáxias e estrelas, que só agora estão nos atingindo. 

Lembrando ainda que os registros são, originalmente, em preto e branco. Depois, são processados com filtros para colorir e aumentar o contraste visual. 

Confira quais são os outros três instrumentos:

  • NIRSpec (Near Infrared Spectrograph, ou “espectômetro de infravermelho próximo”), capaz de mostrar a temperatura e composição de estrelas distantes.
  • NIRISS (Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph ou “sensor de infravermelho próximo e espectrógrafo sem fenda”), para observar planetas ao redor de estrelas brilhantes; 
  • MIRI (Mid-Infrared Instrument ou “instrumento de infravermelho médio”), para enxergar galáxias distantes ou recém-formadas, além de objetos menores e mais fracos, como asteroides. É o sensor do telescópio que opera no comprimento mais longo de luz, capaz de ultrapassar nuvens de poeira com mais facilidade.

Telescópio Espacial James Webb: Tecnologia de ponta 

Saiba que alguns dos maiores telescópios terrestres são feitos com espelhos segmentados. Porém, o James Webb é o primeiro a usar essa tecnologia no espaço. 

Seu espelho primário, de 6,5m de diâmetro, é fragmentado em 18 peças hexagonais de berílio sólido — um dos metais mais resistentes, estáveis e duráveis. Como se fosse uma grande colmeia refletora. 

Sendo assim, a etapa de calibração e testes demorou cerca de seis meses: era preciso que todos os segmentos estivessem alinhados como se fossem um só, com a precisão de um fio de cabelo humano, para produzir uma imagem unificada da mesma estrela.

Enxerga mais que o Hubble

Entenda também que o James Webb é o sucessor do Telescópio Espacial Hubble. Durante 32 anos, o Hubble foi nosso olho no espaço, mas já sente o peso da idade, apresentando diversas falhas recentemente. 

Entretanto, a nova tecnologia não só fará imagens com mais resolução e nitidez, como enxergará coisas nunca antes vistas. O Hubble, com seu espelho de “apenas” 2,4m de diâmetro, opera em comprimentos de luz visíveis e ultravioleta, e apenas uma faixa limitada de infravermelho. Dessa forma, o James Webb percebe ondas de luz que são totalmente invisíveis para o antecessor.

Como as ondas infravermelhas são mais longas, é possível ver mais longe e, consequentemente, enxergar o passado. Seu principal objetivo é registrar as primeiras estrelas e galáxias do universo, além de sondar planetas distantes possivelmente habitáveis. 

Por fim, vale ressaltar que o James Webb é um projeto conjunto das agências espaciais dos Estados Unidos (Nasa), Europa (ESA) e Canadá (CSA). Ele custou cerca de US$ 10 bilhões (cerca de R$ 55 bilhões) e tem uma “expectativa de vida” prevista de dez anos – mas deve operar por mais tempo.

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